Ainda sobre a E3…

Agora mais a frio, quais são as reacções que se tiram pós E3 2010? Com a actual geração de consolas a alcançar quase 5 anos de existência, que novidades podemos esperar dos 3 gigantes para os próximos tempos?

Analisemos as propostas da Microsoft, que foi a primeira a apresentar as suas novidades. Project Natal ganhou finalmente o nome definitivo de Kinect. Ainda sem revelar o preço de venda, a empresa norte-americana efectuou uma série de demonstrações do poder desta câmara, que capta os nossos movimentos sem a necessidade de ter qualquer comando nas mãos, em várias aplicações para a Xbox 360. O controlo do menu da consola ou de vídeos e música através do mover das mãos parece-me uma das melhores evoluções que podemos ter em qualquer sala de estar, mas como é de jogos que nos interessa saber, vamos passar à frente. Os jogos da marca compatíveis com o Kinect são o Kinectimals, KinectSports, Kinect Joyride e Kinect Adventures! e qualquer um destes títulos é uma clara tentativa de atingir o tal mass market que a Nintendo tão eficazmente conseguiu alcançar com a Wii. Jogos divertidos, com temas apelativos (animais e desporto) e controlos simples são sem dúvida uma fórmula de sucesso. Resta saber se uma consola que tem uma imagem tão vincada nos hardcore gamers irá igualmente conquistar o gosto do jogador menos atento.

A Nintendo de outrora parece estar de regresso. Se nas últimas edições da E3 tudo parecia direccionado para um público desconhecido, talvez por agora essa mesma audiência já estar conquistada, aquilo que a empresa japonesa apresentou foi extremamente reconfortante para os fãs de longa data, senão, notem: um novo Zelda em destaque e com bom aspecto, o regresso de velhas mascotes (Kirby, Donkey Kong ou Kid Icarus), um remake de Goldeneye (que é um dos jogos mais aclamados pelos fãs da era Nintendo 64) e a apresentação da esperada Nintendo 3DS, com um leque de jogos bastante vasto e forte.  São, de facto, razões mais do que suficientes para deixar um sorriso nos lábios daqueles que já tinham perdido a esperança na velha Nintendo. É curioso ver que na apresentação da 3DS, o apoio dado pelas editoras foi avassalador. Mas isto tem uma explicação simples – as regras de hoje são outras. Se no lançamento da DS e Wii a Nintendo tinha que provar ao mundo que tinha em mãos duas máquinas de fazer dinheiro, hoje essas provas estão mais que dadas. O período de reflexão das editoras, que é natural no lançamento de uma nova consola, é agora mais curto e a segurança é outra e por isso, para além de vermos Nintendogs & Cats ou Mario Kart, vemos também na tela Metal Gear Solid e Resident Evil. Resta-nos agora aguardar e ver que impacto é que esta nova plataforma terá na indústria.

O Playstation Move e o 3D (na PS3) foram as apostas de uma Sony que parece finalmente ter encontrado um rumo. Com um rigor mais próximo daquilo que é apanágio da marca Playstation, a empresa nipónica apresentou alguns jogos em 3D que ganham assim uma nova vida, ainda que se questione o facto de que para se usufruir desta espectacularidade seja necessária a aquisição adicional de televisões compatíveis com este novo modo de imagem, e que têm actualmente um preço elevado. A utilização de óculos especiais para podermos tirar partido do potencial do 3D é a meu ver outro obstáculo ao conforto. Não estou a pôr em causa o efeito 3D e o envolvimento que essa tecnologia proporciona ao jogador – sem dúvida, o futuro – mas, não se tratando de algo natural e prático, acaba por, no fim, prejudicar a experiência. Mas tal como na introdução do DVD e mais recentemente do BluRay, não tenho dúvidas que a consola da Sony vai impulsionar um mercado que interessa à própria empresa fomentar. O outro trunfo na manga da Sony é o Playstation Move. O que parece para já ser uma evolução da tecnologia por trás da Wii (e que pode mesmo criar um cenário de recuperação para a Sony na luta contra a Microsoft) acaba por, no fim de contas, ser um caminho que já foi outrora percorrido e que tem já terra seca. A questão que se coloca aqui mais uma vez é a mesma que coloquei para a Microsoft: será que a implementação do controlo por movimento, nesta altura do campeonato, vai afectar uma consola que, apesar de à partida ter pela frente um desafio mais fácil por já ter um histórico de títulos casuais, é à partida uma consola hardcore gamer?

Uma coisa é certa, a introdução do Kinect e do Playstation Move no mercado vem dar uma nova vida a uma geração que já começa a demonstrar alguma saturação, enquanto que o 3D é algo de que só devemos conseguir usufruir na sua plenitude na próxima geração de consolas quando essa tecnologia estiver massificada. A Nintendo 3DS é, essa sim, uma lufada de ar fresco no campo das portáteis, e é interessante ver que a Nintendo se volta a reinventar e a dar o primeiro passo num caminho inexplorado mas extremamente apelativo. No fim, somos nós – os jogadores – que saímos beneficiados, e esse é um dado adquirido que é bom de saber.

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