Second Player – Quero Jogar um Jogo

Quando me propus a escrever para o Bonus Stage, tinha em mente escrever sobre uma saga de jogos, jogos esses que marcaram a minha vida de jogador. Acontece que acordei certo dia, ainda nesta semana, e quis escrever sobre outra coisa. Dito e feito. A minha professora do Seminário sempre me avisou sobre os trabalhos surpresa: que não podia mudar de tema de repente – tudo bem por agora, mas na vida profissional não o podia fazer. Mas que foram bem sucedidos, foram. Vejamos o resultado desta entrada.

Não pretendo ensinar nada, nem inventar a roda ou mostrar-me intelectual sobre dado assunto, mas quero apenas lembrar e fazer com que muitos se lembrem comigo.

Então, nessa tal manhã da mudança de tema apeteceu-me jogar, mas jogar algo especial, não me apetecia ligar a X360, nem pegar na PSP, apetecia-me algo antigo. Não tão antigo dos tempos do início dos videojogos, nem da NES, isso fica para outra entrada, apetecia-me jogar na velha Playstation.

Queria jogar um jogo a sério, não muito antigo, nem muito novo, mas um jogo que fizesse com que todos olhassem e dissessem “este tipo ainda joga”.

Conheço muitos jogadores que dizem já não conseguir jogar Playstation, ou outras consolas da mesma era, porque os gráficos são demasiado antigos e cúbicos, que os jogos envelheceram mal, ou porque têm os padrões demasiado elevados com esta nova geração. Se por um lado concordo, por outro não percebo esta justificação. Um quadro de Da Vinci envelhece mal em comparação com a arte de hoje? Um castelo envelhece mal em detrimento de um prédio arquitectado nos dias de hoje? Creio que é preciso ter uma mente algo aberta para se poder voltar a jogar o passado, assim como apreciar outra arte, ou ver um filme a preto e branco.

Os jogos de hoje mais parecem filmes, as personagens parecem pessoas e o mundo virtual parece o que vejo pela janela. O que queria nessa manhã era jogar com uma personagem graficamente limitada e quadrada. Lembram-se do primeiro Resident Evil? Do primeiro Tomb Raider, Spyro, Tekken ou Final Fantasy VII? Ou Metal Gear Solid, com um Snake sem olhos, porque na altura era algo impossível de fazer. Uma pessoa podia olhar para a televisão e dizer, isto é um jogo. Hoje olhamos para a televisão e tudo parece um filme de Hollywood. Quão ténue estará a linha entre o jogo e o real hoje em dia? Se antes tudo tinha um look cartoonish, hoje tudo tem de ter um look real. Há uma necessidade de misturar a realidade com os jogos a fim de atrair mais público, aquele público que gozava com os jogos de bonecos quadrados. Será isto benéfico para a indústria?

Posso dizer que sim, vermos um FIFA ou PES fotorrealista nas nossas televisões só vem aumentar a imersão no jogo, dar aquela sensação de estarmos a ver uma partida de futebol na Sport TV. Um jogo de guerra? Porque não? Venha o caos e a confusão e toda a epicidade. Agora imaginem um Super Mario, que em vez de ter o estilo característico que todos conhecem, parece-se um canalizador real, um Link (Legend of Zelda) – agora tive de ir ver a minha prateleira, apenas para constatar que a maioria dos jogos sofreu o tratamento “realidade” e assemelham-se agora a pessoas reais. No fundo, é a evolução – assim como nós crescemos e passamos de crianças para adultos, também os jogos crescem. E como também perdemos a magia e a ingenuidade de criança, também os jogos perdem a sua magia e ingenuidade de serem jogos.

Quero jogar um jogo quadrado com limitações gráficas, com som repetitivo e maus diálogos – de novo, Resident Evil, Silent Hill e Tomb Raider . Quero jogar esses jogos, antes considerados o pico da evolução e achá-los ridículos, afastados da realidade e sem qualquer nexo com histórias mirabolantes e clichés. Quero frustrar-me com os controlos limitados e com a falta de botões no comando, que agora até precisam de mapa, quero ensurdecer com o ruído da consola a ler o disco. Quero levantar-me do sofá para mudar de disco duas, três, quatro vezes como se isto fosse uma fantasia final. Barafustar com o jogo por encravar, por o boneco ficar preso na parede, por ver personagens a desaparecer no ar.

Acordei nessa manhã com uma vontade enorme de reviver o tempo em que os jogos eram jogos e jogavam-se como jogos. Agora, fui jogar?

Não, não consegui aguentar os loadings enormes…

by André Pereira aka Blaze
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