O efeito surpresa

O mundo dos videojogos é muito peculiar porque a surpresa é um dos catalisadores da sua evolução e, no entanto, este elemento poderoso poucas vezes aparece. Na verdade, o efeito surpresa é algo que anda um pouco desaparecido em qualquer indústria.

Ainda assim, nos videojogos vão surgindo algumas surpresas que acabam por criar entusiasmo e uma delas é a nova consola da Nintendo, a 3DS. É incrível como é que esta nova portátil consegue criar um efeito de histerismo em todos aqueles que a experimentam, e isto é notável quando estamos a falar da introdução de uma tecnologia que até à altura ainda não tinha obtido a unanimidade em torno da sua performance noutras aplicações (cinema e TV).

Agora que pude experimentar a consola na recente exposição pós E3 da Nintendo em Lisboa, pude então comprovar que a primeira reacção que se tem ao ver o ecrã da 3DS a exibir efeitos 3D, que nos dão a sensação de profundidade é absolutamente fantástica, e percebemos naquele primeiro instante que nos sentimos surpreendidos e com vontade de ver mais. A qualidade de imagem é igualmente espantosa e, depois de ver algumas demonstrações, ficamos com a clara ideia de estarmos perante um produto de qualidade e que nos vai certamente proporcionar muitos momentos de puro entretenimento.

O botão para regular a profundidade do 3D na consola é um elemento-chave para podermos tirar o melhor partido do efeito, e que faz desta portátil algo de único, por se adaptar aos seus utilizadores. Na mesma demonstração, diferentes pessoas ajustaram este efeito para diferentes profundidades, o que demonstra que cada um de nós se adapta de maneira diferente ao 3D, e isto é um dos pormenores que não é possível regular noutras aplicações, como no cinema ou na TV.

De todas as demonstrações presentes, a de Pilotwings Resort foi das mais interessantes porque não só me fez recordar o bom que foi o jogo da Nintendo 64, como pude perceber a influência do 3D na experiência de jogo. Não é de admirar que a Nintendo pretenda reeditar alguns dos seus clássicos agora para a 3DS, uma vez que esta novidade cria uma nova dimensão mesmo naqueles jogos em que explorámos tudo até à exaustão!

Não posso deixar de mencionar a demo de Metal Gear Solid que apesar de não passar de uma demonstração tecnológica, representou sem dúvida o ponto alto desta experiência 3D, provando as potencialidades gráficas da consola.

Da mesma forma que o ecrã táctil marcou uma geração, não tenho dúvidas que a 3DS tem todos os ingredientes para definir um novo rumo numa indústria que poucas surpresas nos tem apresentado. O entusiasmo é grande isto só pode ser um sinal de que os videojogos estão bem de saúde e se recomendam!

Ainda sobre a E3…

Agora mais a frio, quais são as reacções que se tiram pós E3 2010? Com a actual geração de consolas a alcançar quase 5 anos de existência, que novidades podemos esperar dos 3 gigantes para os próximos tempos?

Analisemos as propostas da Microsoft, que foi a primeira a apresentar as suas novidades. Project Natal ganhou finalmente o nome definitivo de Kinect. Ainda sem revelar o preço de venda, a empresa norte-americana efectuou uma série de demonstrações do poder desta câmara, que capta os nossos movimentos sem a necessidade de ter qualquer comando nas mãos, em várias aplicações para a Xbox 360. O controlo do menu da consola ou de vídeos e música através do mover das mãos parece-me uma das melhores evoluções que podemos ter em qualquer sala de estar, mas como é de jogos que nos interessa saber, vamos passar à frente. Os jogos da marca compatíveis com o Kinect são o Kinectimals, KinectSports, Kinect Joyride e Kinect Adventures! e qualquer um destes títulos é uma clara tentativa de atingir o tal mass market que a Nintendo tão eficazmente conseguiu alcançar com a Wii. Jogos divertidos, com temas apelativos (animais e desporto) e controlos simples são sem dúvida uma fórmula de sucesso. Resta saber se uma consola que tem uma imagem tão vincada nos hardcore gamers irá igualmente conquistar o gosto do jogador menos atento.

A Nintendo de outrora parece estar de regresso. Se nas últimas edições da E3 tudo parecia direccionado para um público desconhecido, talvez por agora essa mesma audiência já estar conquistada, aquilo que a empresa japonesa apresentou foi extremamente reconfortante para os fãs de longa data, senão, notem: um novo Zelda em destaque e com bom aspecto, o regresso de velhas mascotes (Kirby, Donkey Kong ou Kid Icarus), um remake de Goldeneye (que é um dos jogos mais aclamados pelos fãs da era Nintendo 64) e a apresentação da esperada Nintendo 3DS, com um leque de jogos bastante vasto e forte.  São, de facto, razões mais do que suficientes para deixar um sorriso nos lábios daqueles que já tinham perdido a esperança na velha Nintendo. É curioso ver que na apresentação da 3DS, o apoio dado pelas editoras foi avassalador. Mas isto tem uma explicação simples – as regras de hoje são outras. Se no lançamento da DS e Wii a Nintendo tinha que provar ao mundo que tinha em mãos duas máquinas de fazer dinheiro, hoje essas provas estão mais que dadas. O período de reflexão das editoras, que é natural no lançamento de uma nova consola, é agora mais curto e a segurança é outra e por isso, para além de vermos Nintendogs & Cats ou Mario Kart, vemos também na tela Metal Gear Solid e Resident Evil. Resta-nos agora aguardar e ver que impacto é que esta nova plataforma terá na indústria.

O Playstation Move e o 3D (na PS3) foram as apostas de uma Sony que parece finalmente ter encontrado um rumo. Com um rigor mais próximo daquilo que é apanágio da marca Playstation, a empresa nipónica apresentou alguns jogos em 3D que ganham assim uma nova vida, ainda que se questione o facto de que para se usufruir desta espectacularidade seja necessária a aquisição adicional de televisões compatíveis com este novo modo de imagem, e que têm actualmente um preço elevado. A utilização de óculos especiais para podermos tirar partido do potencial do 3D é a meu ver outro obstáculo ao conforto. Não estou a pôr em causa o efeito 3D e o envolvimento que essa tecnologia proporciona ao jogador – sem dúvida, o futuro – mas, não se tratando de algo natural e prático, acaba por, no fim, prejudicar a experiência. Mas tal como na introdução do DVD e mais recentemente do BluRay, não tenho dúvidas que a consola da Sony vai impulsionar um mercado que interessa à própria empresa fomentar. O outro trunfo na manga da Sony é o Playstation Move. O que parece para já ser uma evolução da tecnologia por trás da Wii (e que pode mesmo criar um cenário de recuperação para a Sony na luta contra a Microsoft) acaba por, no fim de contas, ser um caminho que já foi outrora percorrido e que tem já terra seca. A questão que se coloca aqui mais uma vez é a mesma que coloquei para a Microsoft: será que a implementação do controlo por movimento, nesta altura do campeonato, vai afectar uma consola que, apesar de à partida ter pela frente um desafio mais fácil por já ter um histórico de títulos casuais, é à partida uma consola hardcore gamer?

Uma coisa é certa, a introdução do Kinect e do Playstation Move no mercado vem dar uma nova vida a uma geração que já começa a demonstrar alguma saturação, enquanto que o 3D é algo de que só devemos conseguir usufruir na sua plenitude na próxima geração de consolas quando essa tecnologia estiver massificada. A Nintendo 3DS é, essa sim, uma lufada de ar fresco no campo das portáteis, e é interessante ver que a Nintendo se volta a reinventar e a dar o primeiro passo num caminho inexplorado mas extremamente apelativo. No fim, somos nós – os jogadores – que saímos beneficiados, e esse é um dado adquirido que é bom de saber.

Actualizações com a maior brevidade…

… podem ser vistas no Twitter do Bonus Stage em http://twitter.com/bonustage

Até já!

E chegou de novo aquela altura do ano…

A já tradicional feira internacional E3 ocorre mais uma vez em Los Angeles, e este ano, como em todos os anos, promete algumas revelações em primeira mão. De facto, esta feira conta no seu historial com a revelação de novos títulos e/ou com a revelação de novo hardware.

Fazendo um pequeno resumo do que se passou desde o início, a primeira edição da feira, em 1995, ficou marcada por ser o ano em que a Sony entrou na indústria dos videojogos com a revolucionária Playstation. No ano seguinte, a Nintendo revelou a Nintendo 64 e o seu jogo estandarte, o Super Mario 64. Em 1999, foi a vez da Dreamcast da Sega e, em 2000, da Playstation 2, da Sony, e da Xbox, da Microsoft. A consola cúbica da Nintendo era revelada em 2001 e só em 2004 é que surgia novo hardware, desta vez, com as consolas portáteis da Nintendo, a DS e da Sony com a PSP. A Playstation 3, Nintendo Wii e Xbox 360 seriam então anunciadas no ano seguinte.

Este ano não é excepção. No palco da Nintendo, espera-se ver pela primeira vez a sucessora da Nintendo DS. Uma consola portátil com a capacidade de oferecer experiências em 3D sem a necessidade de óculos é tão ou mais promissor do que o outrora anunciado ecrã táctil da DS. A expectativa é ver como é que tudo funciona na prática, e se esta nova funcionalidade vai ou não oferecer diversidade. O mesmo se aplica ao Playstation Move e ao Project Natal.

Segunda-feira, dia 14 de Junho, começam as habituais conferências de imprensa, sendo que a primeira a entrar em campo é a Microsoft.

E3

Microsoft – 14 de Junho, 18h30

Nintendo – 15 de Junho, 17h00

Sony – 15 de Junho, 19h30

(Horas de Lisboa)

Por aqui, podem contar com os habituais comentários de análise crítica!

Second Player – Quero Jogar um Jogo

Quando me propus a escrever para o Bonus Stage, tinha em mente escrever sobre uma saga de jogos, jogos esses que marcaram a minha vida de jogador. Acontece que acordei certo dia, ainda nesta semana, e quis escrever sobre outra coisa. Dito e feito. A minha professora do Seminário sempre me avisou sobre os trabalhos surpresa: que não podia mudar de tema de repente – tudo bem por agora, mas na vida profissional não o podia fazer. Mas que foram bem sucedidos, foram. Vejamos o resultado desta entrada.

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O segredo mais bem guardado de Super Mario!

Todos crescemos

“Pac-Man foi apresentado ao mundo em 1980. No ano em que eu nasci surgiu Donkey Kong e em 1984 foi a vez de Tetris…”, dizia eu no post anterior, ou seja, o meu nascimento foi marcado pela criação das bases fundamentais daquilo que hoje em dia jogamos. Os videojogos fazem parte da minha vida desde que nasci.

Na semana passada completei 29 anos de vida, vida essa que tem sido alegremente preenchida com uma das melhores formas de entretenimento alguma vez pensadas pelo ser humano. Os videojogos são uma forma de estar na vida. Desde a Family Computer à Playstation 3, foram inúmeras as consolas que me passaram pelas mãos.

Assisti à evolução do comando, tendo visto coisas estranhas como o tridente da Nintendo 64 e onde se percebeu que a busca pelo controlo perfeito é um trabalho de constantes descobertas. A introdução de mais botões, da vibração, do joystick e dos sensores de movimento são alguns dos exemplos que vingaram devido à necessidade dos comandos acompanharem o ritmo de crescimento dos videojogos e de se oferecerem novas experiências ao utilizador.

Eu fui crescendo, e os videojogos também. Do pixel aos gráficos foto realistas, o aspecto dos videojogos amadureceu bastante, ainda que com algumas curiosidades. Os primeiros jogos da geração 3D (Sega Saturn, Playstation e Nintendo 64) – tirando alguns bons exemplos – são difíceis de recordar. Os gráficos desta época envelheceram mal, ao contrário da chamada geração de ouro (Super Nintendo e Mega Drive), onde o 2D que ainda perdura nos dias de hoje nunca perdeu o seu encanto. A tecnologia de hoje oferece aos criadores a possibilidade de produzir enormes universos recheados de detalhes e de histórias épicas.

Actualmente, vivemos uma geração espantosa, recheada de grandes títulos. Vistosos, os videojogos de hoje são um expoente do trabalho árduo de um historial com mais de 30 anos. Ainda que se trate de uma indústria muito jovem quando comparada com outras formas de entretenimento, a verdade é que a oferta actual é gratificante e variada. É por isso uma altura fantástica para se viver, e o futuro parece ainda mais promissor. A definição dos controlos por movimento, o 3D, os novos títulos, e sabem os departamentos de desenvolvimento o que mais, são ingredientes mais do que suficientes para nos manter interessados por este mundo por muitos e longos anos.

Apesar de já não ter o mesmo fulgor de outros anos, lembro-me de o meu irmão mais velho me dizer há alguns anos atrás que quando fosse mais velho iria perder o interesse pelos videojogos porque outros valores iriam surgir. A verdade é que tal não aconteceu ainda, e não me parece que venha a acontecer.

Uma bola famosa

Com o controlo de uma bola amarela, caminhamos alegremente num labirinto fechado ao mesmo tempo que comemos pequenas bolas deliciosas, como se de um banquete se tratasse. Para tornar a viagem ainda mais apetitosa, no caminho vão surgindo aleatoriamente alguns frutos. Mas nem tudo é felicidade, porque este labirinto encontra-se recheado de fantasmas (que até têm nomes próprios!) que querem eliminar… a bola amarela. Felizmente, ao longo dos corredores vamos encontrar um super poder que inverte, por breves segundos, a mecânica do jogo. Os fantasmas que antes nos perseguiam, agora fogem da bola amarela de forma assustadora, porque ela agora pode comê-los. Comam as bolas todas do labirinto, e passam para um novo labirinto, com mais bolas para comer, mais fruta e mais fantasmas.

Um conceito básico mas extremamente eficaz fez do Pac-Man um dos jogos mais eternos e viciantes da história do mundo electrónico. Esta ano o jogo da bola amarela celebra 30 anos de existência. 30 anos é muito tempo, e a maioria dos jogos nem um ano perduram.  Ao longo da sua vida, Pac-Man já surgiu em variadas formas e feitios, ainda que a melhor delas todas seja mesmo a original. A par da original, a versão da Xbox Live – Pac-Man Championship Edition – não deixa de ser uma excelente adição à série.

Pac-Man foi apresentado ao mundo em 1980, um ano antes de eu nascer. No ano seguinte surgiu Donkey Kong e em 1984 foi a vez de Tetris… anos férteis, estes!

Aqui fica o portal oficial do jogo onde podem consultar tudo e mais alguma coisa sobre este marco histórico.

Musicas que ficam no ouvido – Halo

Halo é um jogo que marcou a história dos videojogos por várias razões. Não é para analisar o jogo que estou a escrever este texto, mas sim para recordar aquela que é uma das músicas que melhor definiu a série. Aqui fica o tema principal do jogo Halo.

Jogos que marcam – God of War

A mitologia grega é extremamente rica em pormenores. As histórias protagonizadas por deuses e deusas, heróis e criaturas tornam-se, assim, uma excelente oportunidade para a criação de videojogos com um enorme potencial. E foi isso que os estúdios da Santa Monica decidiram fazer ainda na anterior geração de consolas.

Estávamos em 2005 quando God of War surgiu na Playstation 2 e desde então, este título tornou-se uma referência no panorama mundial. Na verdade, God of War foi o apogeu da consola de sucesso da Sony, e é unânime dizer que a nível gráfico definiu um patamar  altíssimo, dificilmente alcançável pelos restantes criadores de videojogos. Eu diria mesmo que já na actual geração, com todo o esplendor HD, ainda surgem jogos com pior qualidade gráfica que God of War 2, que foi lançado em 2007.

A trilogia foi agora terminada, já na Playstation 3, e em jeito de conclusão rápida, a série nunca perdeu o seu fulgor. A série de Kratos é mesmo das poucas em toda a história dos videojogos que conseguiu sempre manter-se ao mesmo nível. Existem vários pontos comuns entre os três títulos sendo que a excelência gráfica foi sempre um dos aspectos mais trabalhados, e é impressionante a atenção que os estúdios deram ao detalhe. A sensação de escala do jogo é brutal, e se nos dois primeiros capítulos isso já era notório, no último é de nos deixar de boca aberta. O goreapresentado é outro dos aspectos que definiram a saga. A dimensão dos cenários e dos titãs é arrebatadora, e conseguir derrotar estes gigantes é uma clara demonstração da força bruta que Kratos detém e que está também ao nosso alcance. Aliás, Kratos é uma das personagens mais fortes em termos de carácter que alguma vez nos foi colocada nas mãos e que melhor nos transmite o poder que só os deuses têm. Forte e determinado, ele é sem dúvida um Deus com uma grande sede de vingança. Apesar da trama não ser tão rica como a própria mitologia grega, ela cumpre os objectivos propostos, sendo que estamos a falar de um título blockbuster repleto de acção, onde o foco é colocado no progresso do jogador e em… Zeus, o Deus de todos os deuses e pai de Kratos.

Outro aspecto fulcral em qualquer videojogo é a banda sonora, e aqui God of War também não desilude. As músicas são orquestradas e fortes, e ajudam claramente a tornar a experiência mais rica. Até aqui a série foi sempre consistente, oferecendo pérolas atrás de pérolas. Sigam o link para ouvir todas as músicas do último capítulo.

A qualidade inerente ao título é evidente. Poucos são os jogos que conseguem atingir altos níveis de qualidade constantes, e logo no primeiro contacto com God of War ficamos a perceber que estamos perante um título épico em todo o sentido da palavra. É que nem Zeus é obstáculo para Kratos!

Acreditem, esta é daquelas trilogias que não devem deixar escapar de maneira alguma!

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